Dilma e o 'dossiê' para intimidar a oposição. Antes de tudo, é preciso determinar a fonte do "escândalo". Sim, a Veja. Desesperada com a possibilidade de investigarem as contas de seu pupilo, a "chocadeira" lançou timidamente a chamada "O dossiê para intimidar a oposição" em sua capa de 26/03/2008 (clique aqui).
Qual era o objetivo? Primeiro, era preciso escantear a proposta investigação dos gastos tucanos na presidência. Não poderiam deixar que o Brasil soubesse da podridão dos seus "escolhidos".
Depois, trocaram o termo "banco de dados", que seria o mais correto, para "dossiê", usado propositalmente de forma pejorativa para induzir o público a pensar que se tratava de algo feito de forma ilegal e para fins ilegais. O banco de dados já estaria pronto a pedido da mesma CPI, mas a Veja tratou de escamotear.
Seria o caso de intimidar a oposição? Outra questão que a Veja não entra em detalhes. Se "quem não deve não teme", seria o caso da oposição temer? Mas os objetivos eram outros. Na verdade, instigar a oposição contra o governo e criar um clima de guerra envolvendo posteriormente a imprensa e a população.
Era também preciso procurar um "culpado" pela "chantagem". Quem? Por que não Dilma, a candidata? Claro, a Veja não deixaria de tentar derrubar mais um nome em ascensão.
A tática é a mesma que ocorreu com a ex-ministra Matilde Ribeiro, Palocci, Severino, Dirceu, Renan e vários outros. Ou seja, se não podem derrubar o Lula, se não têm argumentos contra os resultados do governo, miram em seus aliados, a fim de inviabilizar politicamente seu projeto. Encher o saco mesmo! Tanto com relação ao governo quanto no entendimento entre governo e oposição, a tática é dividir e dificultar qualquer acordo. Como disse Cesar Maia (DEM) em seu "ex-blog" há alguns meses atrás: "já que não se pode levar o adversário a nocaute, a única possibilidade é dar golpes médios na região da cintura", e a Veja faz o que pode.
Zé Dirceu foi talvez o único da blogosfera a esclarecer os fatos, em seu post de 24/03/2008: "A revista, esta semana, aplicou uma vacina na questão dos gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e família com o cartão corporativo, antes que viessem a público. Inventou um dossiê feito pelo governo, que não foi feito. É só um pretexto para falar de sua revolta pelo fato de a CPI ter programado apurar as despesas com o cartão naquele período. Na 'reportagem' de seis páginas, não questiona nenhum gasto e nem pede nenhuma investigação sobre os anos FHC. Só sobre os anos do Lula. Já se fosse contra o PT, a gente sabe, a revista não estaria tratando de um dossiê simples, teria transformado numa denúncia, grave, e estaria clamando por uma CPI, investigações do Ministério Público Federal (MPF), do Tribunal de Contas da União (TCU), da Polícia Federal e até do Vaticano e da ONU."
Arthur Virgílio (PSDB) logo pediu a cabeça da Dilma: "Cabeças têm que rolar", bradava. "Aconteceu o alopramento da ministra Dilma, ela é aloprada. Fica muito fácil agora todo mundo que pratica corrupção se escafeder.". O deputado Raul Jungmann (PPS): "É o estado policial que foi instalado pelo PT. Isso é gravíssimo. Eles estão tentando acuar a oposição.". O senador Sérgio Guerra disse o seguinte: "Nunca se viu até hoje o uso político da máquina do governo de forma tão acentuada.".
Era o tipo de atitude que a Veja queria. Mas não parou por aí...
O primeiro teste de Dilma
Com a história do dossiê, a Veja mirou na alternativa eleitoral que Lula procurou construir. Não era candidata, alguns diriam. Mas para a Veja, qualquer que seja o aliado do governo Lula que represente o governo como de caráter popular é um alvo em potencial e que deve ser eliminado, seja como for e custe o que custar.
Esse certamente foi o primeiro teste de Dilma como parte fundamental de um movimento de massas presente em todo o Brasil. Diferente de outros antes dela, não se abateu. Pelo contrário, avançou o suficiente para mostrar que não estava disposta a brincar de política e que estava pronta para o que fosse, seja a imprensa, seja o governo.
Como dos outros tantos casos a imprensa procurou derrubar mais um, mas viu que não conseguirá tão fácil de Dilma o que conseguiu com outros ministros do governo Lula.
A nova: o 3º mandato
Como não poderia deixar de ser, a Veja dessa semana se antecipa ao movimento do 3º mandato, que tomou corpo esses dias no embalo da reforma política. Para a Veja, Lula seria o "presidente vitalício".
Ela que diz. E ponto final.
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Dilma e o "dossiê"
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